Um futuro feliz nos aguarda
Em dezembro de 1905, no céu Urano em capricórnio se opunha a Netuno em câncer. Foi nesta época em Berlim, que Rudolf Steiner pronunciou sua palestra sobre a festa de Natal como símbolo da "Vitória do Sol". Na ocasião Steiner lembrou que o Natal não é apenas uma festa cristã. Esta comemoração sempre existiu em todos os lugares da Terra onde se expressava o sentimento religioso, e mesmo há milhares de anos antes do nascimento de Cristo. No Hemisfério Norte, o Natal ocorre próximo ao Solstício de Inverno, quando as noites tornam-se mais compridas e a luz do Sol celebra a vitória da Luz sobre as Trevas. Era, então, motivo de festa para aqueles que tinham o sentimento de vivenciar a lembrança de algo muito maior, da própria divindade que dirige a nossa vida: o Sol. Esse é o pensamento fundamental que cerca a festa de Natal, uma festa cósmica, quando vemos a vitória do Sol se anunciar sobre a escuridão. Quando olhamos para o Sol e para a Lua, não devemos ver neles simples astros físicos, mas sim, corpos de seres espirituais. As festividades de Natal expressavam esse grande momento, quanto a partir de então estava traçada a trajetória do homem sobre a Terra como um cami-nho de evolução, que tem no ritmo solar o seu reflexo. Nosso universo só é possível devido a harmonia da órbita do Sol. Com ela estão relacionados os processos ritmicos da vida e de todos os seres que povoam a Terra. Inclusive no homem tudo é ritmico, regular e harmonioso, desde que não esteja submetido a paixões, instintos, ou mesmo à razão. Para que haja harmonia, o ritmico deve prevalecer sobre o caótico. Era essa imagem evocada aos nossos antepassados quando olhavam para o Sol e viam-no como reflexo da sabedoria ritmica da natureza. A visão cristã também afirma isso quando diz: "Glória a Deus nas alturas!". Glória significa, a partir desse contexto, revelação. "Acontece a revelação de Deus nas alturas", eis a verdadeira realidade desta frase. E, quando em épocas antigas, seguia-se essa revelação da harmonia cósmica como um grande ideal, esses espíritos transformavam-se em guias da humanidade. Nos templos onde ocorria a iniciação, eram os iniciados de sexto grau os heróis solares. Neles não existia o caos; estavam preenchidos com a harmonia do Sol e eram vistos como santos, modelos e ideais. Mas o que se pensava sobre o que havia ocorrido na alma de tal herói que alcançara essa harmonia?... Pensava-se que nele já não vivia uma alma individual, mas sim que havia surgido algo da alma universal. Esta alma que impregna todo o cosmos era denominada na Grécia e entre os sábios do Oriente de "Bhudhi". Por isso, quando nos dias de Natal nos lembramos da trajetória do Sol dentro da natureza, da vitória da luz sobre a escuridão, sentimos o verdadeiro espírito dessa festa, a grande confiança que impele nossas almas na direção dessa harmonia cósmica. A partir desse sentimento cósmico, a Igreja decidiu no século IV colocar a festa do nascimento de Jesus, o Cristo, no mesmo dia em que se celebrava a vitória da luz sobre a escuridão em todas as religiões de sabedoria. Até então, a festa de Natal se dava em datas variáveis. E assim, o Cristianismo sintonizou-se com todas as outras religiões mundiais. E quando os sinos de Natal ressoam, o homem pode se lembrar de que esta festa foi celebrada em todo o mundo, em todos os lugares em que se almeja o progresso da alma humana na superfície da Terra. É para o sentir-se em unidade com o universo, que as festas tornam-se grandes símbolos para a humanidade. E quando se alcançar essa consciência, essas festividades serão diferentes do que são hoje. Como disse Steiner, "novamente se implantarão vivamente na alma e no coração e se tornarão o que realmente deveriam ser: os pontos chaves do anos que nos unem ao espírito do cosmos". "Feliz Natal e um ano novo cheio de paz, crescimento e realizações" são os votos da equipe Quiron. |